O salão VIP do campo de golfe estava cheio de fumo. Cinco yakuza riam alto, cada um com um cigarro na mão. Os outros clientes já tinham ido embora, e os funcionários apenas observavam, sem saber o que fazer. — Apaguem os cigarros.

Aqui é proibido fumar. A voz era calma, mas firme. Uma mulher de uns quarenta e poucos anos estava sentada sozinha, vestida com um elegante traje de golfe. Os yakuza se viraram, surpresos.
— Ei, está falando com a gente? — perguntou o líder, com um sorriso de escárnio. — Há mais alguém fumando aqui? — respondeu ela, sem qualquer tremor na voz.
Um homem enorme, de quase um metro e noventa, levantou-se. — Você sabe quem somos? Os outros clientes fugiram, um a um. Mas ela não se mexeu.
Pegou a xícara de café e deu um gole. — Cigarros são para a área de fumantes. Os yakuza trocaram olhares. A mulher parecia não ter medo nenhum.
O líder riu. — Essa aí não tem medo de nada, hein? Ela olhou para o relógio. Eram 15h47.
— Ainda não é a hora — murmurou. — Que hora? — perguntou um deles, confuso. — A hora que estou esperando.
Os yakuza ficaram intrigados. Ninguém reagia assim. O gerente do clube tentou intervir, mas foi afastado com um olhar ameaçador. — Fica fora disso — rosnou o líder.
A mulher continuou sentada, imperturbável. Um dos yakuza bateu na mesa. — Ei, você está nos ignorando? — Não, estou apenas esperando.
— Esperando o quê? — Vocês vão ver. O relógio marcava 15h52. Ela se levantou.
Apesar de ter apenas 1,65m, sua postura a fazia parecer muito maior. — Aonde você pensa que vai? — um dos homens tentou agarrá-la. — Tire a mão de mim.
A voz era gelada, dura como aço. O yakuza parou, como se tivesse sentido um perigo instintivo. — Essa mulher é estranha — sussurrou um dos mais jovens. O líder riu.
— O que você aprendeu? Caratê? Aikido? Ela sorriu levemente.
— Aprendi a lidar com pessoas. — Lidar com pessoas? — eles riram. — Sim.
Por exemplo, como lidar com vocês. O líder franziu a testa, como se tivesse lembrado de algo. Mas antes que pudesse falar, um dos outros avançou. — Então nos ensina.
Quero saber como lidar com uma mulher bonita como você. Ele disse coisas cada vez mais obscenas. Os funcionários desviaram o olhar. Mas ela apenas ouviu, com uma calma perturbadora.
— Interessante — disse ela. — Gostaria de ver a cara de um juiz se ouvisse esse depoimento. — O quê? — Nada não.
Só pensando alto. Ela olhou para o relógio. 15h52. — É hora.
— Hora de quê? — perguntou o líder, já nervoso. Nesse momento, ouviram passos. Um funcionário entrou com uma bandeja.
Ao ver a mulher, ele parou, surpreso. — Sargento Saito? — disse ele, em voz baixa. — Olá, Cabo Kimura — respondeu ela, com um leve sorriso.
— É realmente a senhora! — o funcionário ficou emocionado. — Há quanto tempo! — Você se transferiu para cá?
— Sim, no ano passado. — O que a senhora faz aqui? — Trabalho. — Ela apontou para os yakuza.
— Estes senhores estavam fumando na área proibida. O funcionário entendeu a situação e se aproximou. — Deixa comigo. Mas o líder o deteve.
— Espera. Ela é militar? — Sim, mas está na reserva. — Então é só uma civil — riu o grandalhão.
— Por que tanto medo? O funcionário hesitou. — A sargento não era uma militar comum. — O que quer dizer?
Forças Especiais? — Chega — cortou a mulher. Nesse momento, a câmera de segurança do salão apagou. — A câmera caiu — estranhou um funcionário.
— Ela desliga na hora certa — disse a mulher. — O quê? Ouviram-se carros chegando. Vários.
Olharam pela janela: três sedãs pretos estacionavam. Oito homens de terno e óculos escuros desceram. — Polícia? — perguntou um yakuza.
— Não é polícia — respondeu ela. — Então quem é? — Pessoas mais assustadoras. Os passos se aproximaram.
A mulher tirou um pequeno objeto preto da bolsa. Um gravador. — Vamos começar. — Começar o quê?
— A hora de vocês descobrirem por que realmente estão aqui. — Viemos jogar golfe! — Mentira. Eu sei tudo o que acontece neste clube.
O líder empalideceu. — O que quer dizer? — Suzuki Saya, 27 anos, sargento das Forças de Autodefesa. Está trancada no salão VIP do terceiro andar há três horas.
Os yakuza se entreolharam. Como ela sabia? O celular do líder tocou. Ele atendeu, e sua expressão mudou.
— O quê? Agora? — Ele desligou. — Os chefões estão vindo.
Mais carros chegaram. Desta vez, sete homens, ainda mais intimidadores. O novo chefe, um homem de uns cinquenta anos com uma cicatriz no rosto, entrou. — Que confusão é essa?
— É por causa dessa mulher — respondeu o líder. — O que ela quer? — Ela falou do salão VIP… e da Suzuki.
O novo chefe ficou tenso. — Como sabe esse nome? A mulher se levantou. — Agora que todos estão aqui, posso começar.
— Ela mostrou um distintivo. — Sou a oficial Saito Emi, da Seção de Inteligência e Segurança das Forças de Autodefesa. O silêncio tomou conta do salão. A Seção de Inteligência era temida até pelos próprios militares.
— Isso é verdade? — sussurrou um yakuza. — Tudo o que aconteceu aqui foi observado e gravado — continuou ela. — Assédio sexual, sequestro, ameaças, suborno…
Está tudo aqui. Ela abriu a bolsa, mostrando o gravador. — Isso é uma armadilha! — gritou o novo chefe.
— Não, é uma operação. Nesse momento, o gerente se aproximou, pálido. — Senhora, peço que se retire. Os outros clientes estão reclamando.
— Que clientes? Não há mais ninguém aqui. — É uma ordem da diretoria. O novo chefe riu.
— Claro! Somos clientes VIP. Gastamos muito aqui. Não vão nos incomodar por causa de uma mulher.
A oficial entendeu. — Então o clube está envolvido. Alugaram o salão VIP, desligaram as câmeras, afastaram as testemunhas… Quem teve essa ideia?
O novo chefe ficou nervoso. — Do que está falando? — Suzuki Saya ia se encontrar com a imprensa às 16h para denunciar um caso de assédio sexual dentro das Forças. Vocês a sequestraram antes.
— Não temos nada a ver com isso! — O Coronel Yamada deu a ordem, não deu? O gerente empalideceu. O nome do coronel era conhecido.
— Como sabe? — Porque eu estava esperando por isso. — Ela olhou para o relógio. — E ele está prestes a chegar.
O novo chefe tentou reagir. — Mesmo que seja verdade, o que pode fazer? Somos doze! — Doze?
— ela sorriu. — Isso não é problema. Nesse momento, os homens de terno entraram no salão. Eram da Seção de Inteligência.
— Todos fiquem onde estão — ordenou um deles. O novo chefe tentou argumentar, mas um dos yakuza mais jovens, chamado Minoru, de repente ficou pálido. — Espera… — ele murmurou, olhando para a oficial.
— Eu conheço essa mulher. — O quê? — perguntou o chefe. — Ela é a oficial Saito Emi…
A mulher que me salvou há doze anos. Todos se viraram para ele. — No atentado de Ginza, quando eu era criança. Ela era das Forças Especiais.
Eu vi com meus próprios olhos. Ela derrotou três terroristas sozinha. O silêncio foi total. A oficial olhou para ele com tristeza.
— Minoru-kun? Aquele garoto? — Sim — ele tinha lágrimas nos olhos. — A senhora salvou minha vida.
— E agora você está do lado errado. — Eu sinto muito. Eu não tinha escolha… — Sempre há escolha.
— Ela se aproximou. — Saia agora. Se prometer nunca mais fazer isso, deixo você ir. Minoru caiu de joelhos.
— Eu prometo. Obrigado. Ele se levantou e correu para fora, ignorando os gritos do chefe. — Seu traidor!
Mas já era tarde. A oficial se virou para os restantes. — Agora, vamos falar sobre o Coronel Yamada. O novo chefe suava.
— Não sei do que está falando. — O coronel vai chegar às 16h30. Vamos esperá-lo. — Como sabe?
— Porque ele mesmo disse, ao telefone, há pouco. E nós gravamos. O novo chefe empalideceu. O celular dele tocou.
Era o coronel. — Atenda. No viva-voz — ordenou a oficial. Ele obedeceu, com as mãos trêmulas.
— Situação? — perguntou uma voz masculina, autoritária. — Temos um problema. A Seção de Inteligência está aqui.
— O quê? — a voz ficou aguda. — A Saito Emi está aí? — Sim.
— Droga! — O coronel praguejou. — Resolva isso. Elimine todas as provas.
A mulher e a testemunha. Todos. — Entendido — respondeu o chefe, com um olhar para a oficial. A ligação terminou.
A oficial sorriu. — Perfeito. Tentativa de homicídio registrada. O novo chefe percebeu que tinha caído numa armadilha.
— Seu… — Vocês têm duas opções: cooperar ou enfrentar a justiça. A escolha é sua. Ele olhou para os homens da Seção de Inteligência, que já estavam em posição.
Não havia saída. — O que quer que eu faça? — Testemunhe contra o coronel. Ele hesitou, depois assentiu.
— Está bem. Nesse momento, ouviram passos. Um homem de uns cinquenta e cinco anos entrou no salão. Era o Coronel Yamada.
— Que bagunça é essa? — ele olhou para os yakuza caídos no chão. — O que aconteceu? — Olá, Coronel — disse a oficial, calmamente.
Ele a reconheceu e empalideceu. — Saito… — Sim. Estou aqui para prender você.
— Prender? Por quê? — Assédio sexual, sequestro, ameaças, tentativa de homicídio. Está tudo gravado.
— Isso é ridículo! Ninguém vai acreditar em você! — A Seção de Inteligência acredita. E temos a testemunha.
O coronel olhou ao redor, vendo os yakuza derrotados. Estava sozinho. — Você se lembra de mim, não? — perguntou a oficial.
— Claro. A única aluna que me venceu. — Não venci. Dominei.
O coronel riu amargamente. — Há cinco anos, você arruinou minha carreira. — Você arruinou a própria carreira. Assediou alunas, inclusive gravou imagens no chuveiro.
Eu apenas denunciei. — Isso não era nada! — Para as vítimas, era tudo. — Você não entende!
— ele gritou. — Eu fui humilhado! Todos riram de mim! — Você deveria ter refletido, não se vingado.
O coronel tirou uma pistola do bolso. — Desta vez, eu venço. A oficial não se moveu. — Você vai perder de novo.
— Cale a boca! Ele apontou a arma, mas antes que pudesse atirar, a oficial avançou. Em um movimento rápido, ela torceu o pulso dele. A arma caiu no chão.
Ele caiu de joelhos. — Ainda é lento — disse ela, segurando-o. — Solta! — Você sente dor?
Imagine o que Suzuki Saya sentiu, trancada por três horas. — Eu não fiz nada! — Você ordenou que a sequestrassem. E depois ordenou que a matassem.
Nós ouvimos. O coronel ficou em silêncio. — Prendam-no — ordenou a oficial. Enquanto o levavam, ele gritou:
— Isso não acabou, Saito!
Eu ainda tenho cartas! — Acabou — respondeu ela. — Seus crimes acabaram. Nesse momento, o rádio do oficial tocou.
— Emergência! A sargento Suzuki desmaiou! Não está respirando bem! A oficial correu para o salão VIP.
Suzuki estava pálida, amarrada à cadeira. — Saya! — ela a soltou. — Fique comigo!
Suzuki abriu os olhos, assustada. — Sargento… Eu estava com tanto medo… — Já acabou.
Você está segura. — É verdade? O coronel… — Foi preso.
Todos foram presos. Suzuki chorou. — Eu queria desistir… Não aguento mais.
— Não desista. Se você desistir, quem vai proteger as próximas? — A oficial segurou as mãos dela. — Eu também já pensei em desistir.
Mas não desisti. E foi por isso que pude ajudar você hoje. Suzuki enxugou as lágrimas. — Eu vou continuar.
Vou ser forte como a senhora. — Você já é forte. Só de ter denunciado, já é. A ambulância chegou.
Enquanto a levavam, Suzuki sorriu. — Sargento, prometa que vai me visitar. — Prometo. E se precisar de mim, é só chamar.
— Obrigada. A oficial saiu do hospital, dias depois, com o Cabo Kimura. — A sargento Suzuki está bem — disse ele. — Vai voltar ao serviço.
— Que bom. — E o coronel? — Preso. Vários crimes.
— E os outros? — Muitos. Mas isso é só o começo. Há outros casos.
— A senhora vai continuar? — Sempre. Enquanto houver alguém precisando de ajuda. O carro seguiu para o sul, para uma nova missão.
A oficial olhou pela janela, pensando em Suzuki e em todos os outros que ainda precisavam de proteção. — Desta vez, chegarei mais cedo — murmurou. E a estrada continuou.


